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Poema Contraditório

 

Não importa o quanto eu tenho deitado minhas vísceras sofridas na poesia

Não importa o quanto eu tenha clamado a todas as forças da natureza

O grito regurgitado de minhas entranhas violentadas, só encontra uma certeza

Sou ser em extinção, gente que sente, não pertenço a este mundo de fantasia

 

A maioria vive no pseudoconforto das superfícies

Morrem, sem ao menos, conhecerem suas feridas

Cegos, deitados submissos e preguiçosos em suas vidas

Pobres coitados! Sacrilégio! Fazem delas esquifes...

 

Quem nunca seguiu, ao menos uma vez, sem julgar

O seu indecifrável coração,

Vivendo aturdido pela mentirosa razão

Navega fora do mar, fenecerá sem saber o que é amar

 

E o paradoxo mais tragicômico:

Amar é arte, não importa o par

Amar é apenas, louca e alucinadamente, saber se dar

Pois, todos que amam, contabilizando, são os “sãos” do mundo manicômio.

 

Lu em 04/04/2005