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Dança das horas

 Marilena Basso


Muito quieta entre as cobertas,
Despertada!, pois o sono fugiu.
Começo a ouvir a primeira badalada
Das doze que o carrilhão irá soar.
Coloco-me a pensar no hoje que vivi:
O qual, por mais alguns instantes,
Terá sentido e significado,
Pois, perto está de se tornar
Um ontem saudoso e distante.
O que fiz hoje passará
Para a história da minha vida.
Não sei se vivi cada momento
De forma correta e proveitosa.
Vem a dúvida: apenas representei um papel
Enganando os espectadores
Que constituiram a minha platéia?
Como preciso refletir sobre meu hoje!
Mas não vai dar tempo...
Soou a última badalada,
Agora, não tenho mais chance:
O amanhã se faz presente.
Busco na experiência do ontem
Um incentivo para enfrentar
As horas que começam a bailar
Diante de meu olhar triste.
Como quero sair dessa crise existencial!
Ao raiar do dia preciso me apresentar
Ao mundo como nova pessoa.
Sem máscaras, sem medo:
Ousada, destemida, valente!
Darei um grito de liberdade
Anunciando que estou viva
E não vou mais deixar
Que emoções negativas
Abafem os meus sentimentos.
Vou trabalhar melhor as alegrias
Para que tenham o poder
De iluminar os meus dias.
Vou abrir meu coração e deixar
Transparecer todas as emoções
Que nele estavam contidas e sufocadas.
Vou começar a distribuir
O sorriso que ficou trancado
No rosto sério e sisudo.
Vou provar a mim mesma
Que eu tenho o direito
De amar e ser amada.
O homem que até ontem
Me magoou, me crucificou,
Hoje, está morto e enterrado.
Sua lembrança apagarei da minha memória.
Sobre ela jogarei as cinzas que restaram
Do fogo da minha paixão.
Vou renascer dessas mesmas cinzas
E alçar vôo como um fenix
Em busca de uma chance de ser feliz!

Taquaritinga
21/03/04

 

 

 

 

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